Os Benefícios da Febre

Eu poderia escolher outros assuntos para falar nessa postagem, mas a cada plantão que faço em emergência pediátrica, sinto mais necessidade de esclarecer algumas coisas sobre a febre. E, nada como um título que chame a atenção do leitor para ver se conseguimos diminuir a incidência da Febrefobia – o medo da febre.

A febre é uma das principais queixas na infância e é responsável por quase 5 milhões de consultas pediátricas nos Estados Unidos, além de ser uma das principais causas de angústias dos pais. Esclarecer um pouco sobre o assunto é o ponto de partida para ficarmos mais tranquilos.

Vamos por tópicos:

Sobre a Temperatura Corporal:

A temperatura corporal das crianças pode variar em função da hora do dia, atividade física, idade e quantidade da roupa que estão usando. Crianças menores de de 2 anos podem ter a temperatura do corpo um pouco mais elevadas e sofrem mais a influência do calor externo e das roupas. É comum vermos crianças pequenas com excesso de roupas. Eles sentem o mesmo calor que nós adultos e sua temperatura corporal é praticamente a mesma. Portanto, se você está de camiseta e short, assim também deve estar o seu bebê.

A temperatura corpórea pode ser medida com termômetros na região axilar, ouvido, interior da boca e do reto, além da testa. A temperatura oral ou retal é aproximadamente 0,5 a 1,0ºC mais elevada do que a temperatura axilar. Mães experientes conseguem pelo toque na face ou no tórax avaliar se a criança está com febre, mas a melhor maneira e mais confiável é com termômetro. Existem vários tipos disponíveis no mercado e é um item indispensável em qualquer enxoval.

Cada indivíduo tem o seu próprio “termostato” interno que regula a temperatura corporal. Geralmente considera-se que a temperatura axilar normal deve ficar ao redor de 37ºC, variando 0,6ºC para mais ou menos, por causa da variação no decorrer do dia.

A febre é definida como uma temperatura axilar maior do que 38ºC.


Causas:

É importante ressaltar que a febre não é uma doença, mas um sinal de que alguma alteração está acontecendo com a criança. Existe uma infinidade de motivos que podem levar à febre, desde doenças leves e totalmente benignas até doenças graves.
Na faixa etária pediátrica, a imensa maioria dos quadros febris é secundária a quadros virais auto-limitados (resfriados ou gripes), ou infecções bacterianas que podem ser diagnosticadas após anamnese e exame físico completo (amigdalites, otites e pneumonias, ou infecção urinária e do trato gastrointestinal). Mais raramente é causada por infecções mais graves como meningite e artrite séptica.


Benefícios:

Como assim benefícios da febre? Sim, existem evidências de que, na vigência da febre, os mecanismos de defesa estão mais ativados e mais eficientes para combater infecções. É no momento da febre que o nosso corpo libera substâncias, entre elas os anticorpos, para combater o que o atinge. O próprio organismo da criança que está controlando a temperatura, mas com valores mais elevados. Com a temperatura elevada, impedimos, em parte, a replicação bacteriana. Pessoas gravemente doentes, ou imunodeprimidas podem não apresentar febre.


Como ocorre:

Para que haja elevação da temperatura, o corpo deve ganhar calor, os vasos sanguíneos da pele e dos membros se contraem e os músculos trabalham mais, gerando o calor. É por isso que, quando a temperatura está subindo, as crianças ficam com os pés e mãos gelados e podem apresentar tremores de frio. Quando a febre está cedendo, o corpo precisa perder calor, os pés e mãos ficam quentes e a criança apresenta sudorese e sente calor. Durante a febre há elevação da frequência cardíaca e respiratória, falta de apetite e uma necessidade maior de líquidos, o que gera bastante desconforto em algumas crianças. Mas a temperatura sobe indefinidamente? Não, o controle é do próprio organismo e há um limite para a subida da temperatura que varia de acordo com cada indivíduo.


Se você quiser ler o mais importante da postagem, comece aqui:

Quando tratar:

A febre deve ser tratada sempre? Não. Mais importante do que o valor da temperatura é o grau de desconforto que ela causa. Há uma variação individual muito grande e em uma mesma criança, o desconforto pode variar com a idade e com o tipo de doença.

Não se deve tratar o termômetro, mas a criança! Se ela está ativa, brincando, comendo e dormindo normalmente ou, se a temperatura for inferior a 38ºC, não há necessidade de medicá-la. Mesmo que instintivamente você sinta vontade de levar a criança ao médico ou o pronto-atendimento, lembre-se de que na grande maioria das vezes não é necessário, principalmente se após medicada, ou quando a febre ceder espontaneamente, ele mantiver o bom estado geral.

Ative o seu olhar materno (conscientemente e sem pânico) e pergunte para você mesma: quando afebril, ele fica bem? Fica em bom estado geral, brinca, sorri, aceita a alimentação, ou líquidos, está fazendo xixi?

Se a febre não cedeu espontaneamente, utilize medicação anti-térmico em dose correta — paracetamol ou dipirona. Se você utilizar uma subdose do remédio, a febre provavelmente retornará antes das 6 horas completas da medicação. Questione seu pediatra sobre a dose correta desses medicamentos.

Evite o uso anti-inflamatórios – ibuprofeno, diclofenaco de sódio, diclofenaco de potássio, naproxeno, indometacina, piroxican. Eles podem provocar graves efeitos colaterais como hemorragia digestiva, e piora da função dos rins.

Deixe a criança com roupas frescas – independente do que a avó diga. Dê um banho morno – não gelado e não com álcool. Ofereça bastante líquidos e fique atenta a sinais de desidratação – boca seca, choro sem lágrima, diminuição da quantidade de xixi.

Priorize o conforto do seu filho. Lembra quando você teve aquela gripe com febrão e só queria o colo de alguém e ficar na cama? Com ele não não é diferente.


Quando procurar atendimento médico:

1. Se seu filho está febril e tem menos de 4 meses.

2. Se seu filho está febril e, após medicado, está letárgico, pouco responsivo, recusando totalmente a alimentação, apresenta manchas pelo corpo, ou dificuldade respiratória.

3. Se você observa sinais de desidratação: sede, avidez por água, boca seca, choro sem lágrima, olhos encovados, diminuição da quantidade de xixi.

4. Se seu filho permanece febril por mais de 72 horas (três dias) seguidas. Inicie a contagem a partir do horário da primeira febre e lembre-se de que um dia dura 24 horas.

5. Se seu filho apresenta uma convulsão febril – que é uma crise convulsiva acompanhada de febre – T≥ 38 ºC. Ela não é causada pela febre e que ocorre em crianças de 6 a 60 meses de idade e sem evidência de infecção ou inflamação no sistema nervoso central e sem história prévia de crise convulsiva – mais orientações sobre convulsão febril em outra postagem.

Dra. Sylvia

Febre em Crise!

Já que desmistificamos um pouco sobre esse assunto e, o que eu mais escuto após a queixa de febre é o medo da convulsão febril, vamos logo deixar a febre em crise.

Convulsão Febril Benigna

É uma condição relativamente comum, mas não ocorre em mais de 95% das crianças dessa faixa etária.

Há, ainda, uma predisposição genética para que a criança apresente convulsão febril e, geralmente, ela já apresentou crise febril em algum período da sua vida, ou um parente de primeiro grau também teve episódio de convulsão febril benigna na infância.

Crianças menores de 1 ano de idade, no aparecimento de sua primeira crise febril, tem aproximadamente 50% de chance de apresentar uma nova crise em um outro episódio febril. Já crianças que são maiores de 1 ano no primeiro episódio tem cerca de 30% de chance de ter a segunda em um outro período de febre.

Apesar de serem assustadoras, é importante lembrar que não existe associação entre convulsão febril benigna e sequelas neurológicas a longo prazo, tais como paralisia, ou deficiência intelectual. E, o risco de desenvolver epilepsia após a primeira crise convulsiva febril é realmente muito baixo (cerca de 1%).

Definição Clínica:

Convulsão febril é definida como crise convulsiva acompanhada por febre (T ≥ 38ºC) que ocorre em crianças quando apresenta as seguintes características:

  • Idade entre 6 meses e 5 anos e febre documentada;
  • Apresenta a crise chamada de tônico-clônica generalizada, ou seja, a criança fica rígida e apresenta movimentos involuntários e rápidos dos membros, seguidos de sonolência.
  • Tem até 15 minutos de duração, sendo que a maioria dura de 1 a 3 minutos;
  • Única crise convulsiva em 24 horas;
  • A criança não apresenta doenças neurológicas prévias;
  • Há o retorno gradual para o nível normal de consciência após o término da convulsão;
  • Não há evidencia de infecção no sistema nervoso central (meningite / encefalite);
  • Não há evidencia de alteração de exames metabólicos;
  • E, finalmente, quando criança não tem história prévia de crise convulsiva.

Ou seja, para caracterizar uma convulsão como febril, o médico deve coletar a história clínica minuciosamente e examinar a criança na tentativa de descartar outros tipos de crise convulsiva – que duram mais de 15 minutos, ou que a criança não recupera o nível de consciência rapidamente, ou que a crise se repete em menos de 24 horas; ainda há que se excluir a possibilidade de infecções no sistema nervoso central que cursam com crise convulsiva e febre, como a meningite.

Como Ocorre:

Geralmente, a crise surge no início da elevação da temperatura e não quando a temperatura chega a níveis mais elevados. Portanto, não há relação direta entre a magnitude da febre e o surgimento da crise.

Há crianças que tem crise com febre baixa e outras com febre mais elevada, sempre no período de subida da temperatura. Conclusão: se, seu filho chegou a 41ºC de febre e não teve convulsão febril, dificilmente ele apresentará uma nesse episódio febril.

A crise caracteriza-se por um pequeno período em que a criança fica com o olhar parado, sem responder aos estímulos, seguido de movimentos com os olhos, rigidez e contração da musculatura e, por fim, movimentos ritmados, mais facilmente observados nos olhos e nos membros. A duração total da crise leva de alguns segundos a 3 minutos, embora pareça uma eternidade para quem assiste.

O que fazer:

Se seu filho já apresentou uma convulsão febril, fique atento e lembre-se:

  • Tente não se assustar;
  • Medicá-lo precocemente para febre não o impede de apresentar uma nova crise;
  • Deite a criança de lado e com o rosto virado para o mesmo lado, evitando-a de aspirar conteúdo de vomito e saliva;
  • Não coloque nada na boca do seu filho, não tente desenrolar a sua língua;
  • Leve-o ao pronto socorro, ou ligue para o seu pediatra;
  • Se a crise não passar após 5 minutos, ligue para o 192 – SAMU, ou o serviço médico de emergência do seu plano de saúde.

O que, com certeza, deve ser realizado na chegada ao serviço de saúde:

  1. História clinica e exame físico completo para descartar sinais e sintomas de infecção no sistema nervoso central;
  2. Verificar a necessidade de uma punção do líquido da medula espinhal.

Acredite quando o seu médico diz que não deve ser feito de rotina:

  • Exames de imagem como tomografia de crânio e ressonância magnética;
  • Eletroencefalograma;
  • Eletrólitos séricos e hemograma – a não ser que se suspeite de infecção;
  • O uso de anticonvulsivantes contínuo na tentativa de prevenir crises febris.

Espero que não tenha sido difícil de entender pouco sobre um assunto que amedronta tanta gente e que há tantos mitos ao redor dele.

Abraços! Dra. Sylvia

Quando meu bebê deve dormir?

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