Febre em Crise!

Já que desmistificamos um pouco sobre esse assunto e, o que eu mais escuto após a queixa de febre é o medo da convulsão febril, vamos logo deixar a febre em crise.

Convulsão Febril Benigna

É uma condição relativamente comum, mas não ocorre em mais de 95% das crianças dessa faixa etária.

Há, ainda, uma predisposição genética para que a criança apresente convulsão febril e, geralmente, ela já apresentou crise febril em algum período da sua vida, ou um parente de primeiro grau também teve episódio de convulsão febril benigna na infância.

Crianças menores de 1 ano de idade, no aparecimento de sua primeira crise febril, tem aproximadamente 50% de chance de apresentar uma nova crise em um outro episódio febril. Já crianças que são maiores de 1 ano no primeiro episódio tem cerca de 30% de chance de ter a segunda em um outro período de febre.

Apesar de serem assustadoras, é importante lembrar que não existe associação entre convulsão febril benigna e sequelas neurológicas a longo prazo, tais como paralisia, ou deficiência intelectual. E, o risco de desenvolver epilepsia após a primeira crise convulsiva febril é realmente muito baixo (cerca de 1%).

Definição Clínica:

Convulsão febril é definida como crise convulsiva acompanhada por febre (T ≥ 38ºC) que ocorre em crianças quando apresenta as seguintes características:

  • Idade entre 6 meses e 5 anos e febre documentada;
  • Apresenta a crise chamada de tônico-clônica generalizada, ou seja, a criança fica rígida e apresenta movimentos involuntários e rápidos dos membros, seguidos de sonolência.
  • Tem até 15 minutos de duração, sendo que a maioria dura de 1 a 3 minutos;
  • Única crise convulsiva em 24 horas;
  • A criança não apresenta doenças neurológicas prévias;
  • Há o retorno gradual para o nível normal de consciência após o término da convulsão;
  • Não há evidencia de infecção no sistema nervoso central (meningite / encefalite);
  • Não há evidencia de alteração de exames metabólicos;
  • E, finalmente, quando criança não tem história prévia de crise convulsiva.

Ou seja, para caracterizar uma convulsão como febril, o médico deve coletar a história clínica minuciosamente e examinar a criança na tentativa de descartar outros tipos de crise convulsiva – que duram mais de 15 minutos, ou que a criança não recupera o nível de consciência rapidamente, ou que a crise se repete em menos de 24 horas; ainda há que se excluir a possibilidade de infecções no sistema nervoso central que cursam com crise convulsiva e febre, como a meningite.

Como Ocorre:

Geralmente, a crise surge no início da elevação da temperatura e não quando a temperatura chega a níveis mais elevados. Portanto, não há relação direta entre a magnitude da febre e o surgimento da crise.

Há crianças que tem crise com febre baixa e outras com febre mais elevada, sempre no período de subida da temperatura. Conclusão: se, seu filho chegou a 41ºC de febre e não teve convulsão febril, dificilmente ele apresentará uma nesse episódio febril.

A crise caracteriza-se por um pequeno período em que a criança fica com o olhar parado, sem responder aos estímulos, seguido de movimentos com os olhos, rigidez e contração da musculatura e, por fim, movimentos ritmados, mais facilmente observados nos olhos e nos membros. A duração total da crise leva de alguns segundos a 3 minutos, embora pareça uma eternidade para quem assiste.

O que fazer:

Se seu filho já apresentou uma convulsão febril, fique atento e lembre-se:

  • Tente não se assustar;
  • Medicá-lo precocemente para febre não o impede de apresentar uma nova crise;
  • Deite a criança de lado e com o rosto virado para o mesmo lado, evitando-a de aspirar conteúdo de vomito e saliva;
  • Não coloque nada na boca do seu filho, não tente desenrolar a sua língua;
  • Leve-o ao pronto socorro, ou ligue para o seu pediatra;
  • Se a crise não passar após 5 minutos, ligue para o 192 – SAMU, ou o serviço médico de emergência do seu plano de saúde.

O que, com certeza, deve ser realizado na chegada ao serviço de saúde:

  1. História clinica e exame físico completo para descartar sinais e sintomas de infecção no sistema nervoso central;
  2. Verificar a necessidade de uma punção do líquido da medula espinhal.

Acredite quando o seu médico diz que não deve ser feito de rotina:

  • Exames de imagem como tomografia de crânio e ressonância magnética;
  • Eletroencefalograma;
  • Eletrólitos séricos e hemograma – a não ser que se suspeite de infecção;
  • O uso de anticonvulsivantes contínuo na tentativa de prevenir crises febris.

Espero que não tenha sido difícil de entender pouco sobre um assunto que amedronta tanta gente e que há tantos mitos ao redor dele.

Abraços! Dra. Sylvia